MPSC denuncia 14 pessoas por integrarem rede extremista que operava em Santa Catarina, São Paulo e Paraná. Agentes paulistas ocupavam postos de destaque em grupo e usavam de estrutura das polícias para agir, segundo a acusação
Viatura da Polícia Civil de São Paulo. O Ministério Público de Santa Catarina denunciou uma escrivã da Polícia Civil e um policial militar de São Paulo por suposta participação em uma organização neonazista que atuava em diferentes estados do país. | Foto: PCSP/Divulgação
Uma escrivã da Polícia Civil e um policial militar do estado São Paulo estão entre os 14 suspeitos de integrar uma organização criminosa neonazista denunciada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) na última segunda-feira (15/6).
A denúncia, ajuizada pela 39ª Promotoria de Justiça da Capital, joga luz sobre uma rede que operava de forma silenciosa e coordenada entre as fronteiras de Santa Catarina, São Paulo e Paraná, e que agora aguarda a análise do Judiciário para que os acusados se tornem formalmente réus.
Na nova denúncia do MPSC, ficou evidente que os policiais ocupavam posições de destaque. Segundo o órgão, eles eram a linha de frente de apoio logístico e operacional de um líder central, batizado pelos integrantes de “Führer brasileiro”, e utilizavam suas respectivas corporações para agir.
Todos responderão por organização criminosa, sendo que oito deles também foram denunciados por racismo e apologia ao nazismo.
Rituais de ingresso e os “rolês” de caça
Ao todo, 14 pessoas foram denunciadas pelo MPSC e responderão por organização criminosa, sendo que oito delas também foram denunciadas por racismo e apologia ao nazismo.
A investigação mostrou que o próprio grupo se autodenominava neonazista e adotou como símbolo o “Sol Negro” — um emblema tradicional do ocultismo nazista e da supremacia ariana — adicionando um fuzil AK-47 ao centro da imagem, de acordo com o MPSC.
Ainda segundo o órgão, para integrar o grupo, interessados preenchiam fichas detalhadas e passavam por um ritual de “batismo” oficial. Uma vez aceitos, pagavam mensalidades obrigatórias destinadas ao custeio de panfletos de propaganda, insumos internos e manutenção das atividades, além de receberem uma camiseta que funcionava como o uniforme.
Havia também encontros presenciais frequentes que serviam para debater a expansão da ideologia e desenhar os chamados “rolês”: patrulhamentos coordenados em vias públicas voltados a caçar, perseguir e agredir opositores ideológicos, apontou o órgão.
Os investigadores descobriram dossiês detalhados com fotos e dados de potenciais alvos de violência. O MPSC informou que, sabendo do risco de suas atividades, a liderança do grupo também distribuía cartilhas com orientações rígidas de segurança digital e criptografia, uma contraespionagem interna para apagar rastros e impedir que as autoridades vinculassem os membros entre si.
Durante as diligências, as equipes encontraram farto material de propaganda nazista, além de um arsenal de facas, armas brancas e socos-ingleses prontos para uso em confrontos de rua, divulgaram após o término da operação. A ação, à época, contou com apoio do Ministério Público de três estados (São Paulo, Sergipe e Paraná) e da Polícia Civil de São Paulo.
O nome escolhido para a operação faz alusão aos Julgamentos de Nuremberg, o tribunal militar internacional que, após a Segunda Guerra Mundial, fixou os marcos para a responsabilização de criminosos por atos de barbárie, extremismo e intolerância.
Em resposta, a SSP-SP comunicou que, após ter ciência da ação do MPSC, afastou o policial militar denunciado de atividades operacionais. Já a escrivã denunciada responde a um processo administrativo.
Leia a íntegra do que diz a SSP-SP
A Corregedoria da Polícia Civil concluiu, em novembro de 2024, a investigação referente à agressão ocorrida em 2021 no bairro de Pinheiros, indiciando os investigados e encaminhando os autos ao Poder Judiciário e ao Ministério Público. Em paralelo, foi instaurado um Processo Administrativo Disciplinar e uma Apuração Preliminar para esclarecer as responsabilidades da escrivã na esfera administrativa, os quais seguem em andamento. No âmbito da Polícia Militar, após tomar conhecimento da denúncia apresentada pelo Ministério Público, a corporação determinou o afastamento do policial das atividades operacionais e instaurou procedimento para apurar os fatos. A Secretaria de Segurança Pública (SSP) reforça que as polícias paulistas não compactuam com desvios de conduta e adotam medidas rigorosas para apuração dos casos e responsabilização dos envolvidos.
Para proporcionar as melhores experiências, utilizamos tecnologias como cookies para armazenar e/ou aceder a informações do dispositivo. O consentimento para estas tecnologias permite-nos processar dados como o comportamento de navegação ou identificadores únicos neste site. A não concessão ou a retirada do consentimento pode afetar negativamente determinadas funcionalidades e recursos.
Funcionais
Sempre ativo
O armazenamento ou acesso técnico é estritamente necessário para o propósito legítimo de permitir a utilização de um serviço específico explicitamente solicitado pelo assinante ou utilizador, ou com o único objetivo de realizar a transmissão de uma comunicação através de uma rede de comunicações eletrónicas.
Preferências
O armazenamento ou acesso técnico é necessário para o propósito legítimo de armazenar preferências que não são solicitadas pelo assinante ou utilizador.
Estatísticas
O armazenamento ou acesso técnico que é utilizado exclusivamente para fins estatísticos.O armazenamento ou acesso técnico que é utilizado exclusivamente para fins estatísticos anónimos. Sem uma intimação, conformidade voluntária por parte do seu fornecedor de serviços de Internet ou registos adicionais de terceiros, as informações armazenadas ou recuperadas apenas para este fim normalmente não podem ser utilizadas para o identificar.
Marketing
O armazenamento ou acesso técnico é necessário para criar perfis de utilizador para enviar publicidade ou para rastrear o utilizador num site ou em vários sites para fins de marketing semelhantes.