Terceiro episódio de “Crimes de Maio: o massacre que o Brasil ignora” discute como violência estatal, prisões e corrupção ajudaram a fortalecer o PCC

Para entender o que aconteceu em maio de 2006, é preciso voltar ao dia 2 de outubro de 1992, quando o Estado cometeu um outro massacre: o do Carandiru.
O episódio “Paz, Justiça e Liberdade”, terceiro da série Crimes de Maio: o massacre que o Brasil ignora, investiga como uma chacina na maior cadeia da América Latina impulsionou a formação de uma facção criminosa reconhecida mundialmente e como o Estado de São Paulo foi conivente com o crescimento dela dentro das prisões.
Naquele 2 de outubro, 321 policiais militares das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), do Comandos e Operações Especiais (COE) e do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), unidades de elite da Polícia Militar, foram convocados para intervir em uma suposta rebelião que ocorria na Casa de Detenção do Carandiru, na zona norte de São Paulo.
A unidade, que já acumulava denúncias de violência extrema e superlotação, tinha capacidade para 3.300 presos, mas abrigava cerca de 7.200 pessoas naquele dia.
O Estado assumiu ter matado ao menos 111 presos. O perfil das vítimas era semelhante ao das pessoas mortas nos Crimes de Maio: jovens, pobres e negros.
O massacre do Carandiru deixou marcas profundas no sistema prisional paulista e ajuda a explicar o contexto que permitiu o surgimento e a expansão do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Paz, Justiça e Liberdade
O título do episódio faz referência à frase escrita por presos durante uma megarrebelião em 2001, quando 29 unidades prisionais do estado de São Paulo entraram em rebelião em uma ação coordenada pelo PCC.
Na área externa do Carandiru, detentos escreveram com cal branca a expressão “paz, justiça e liberdade”. Abaixo dela, também aparecia a sequência “15-3-3”, referência ao PCC pela ordem das letras no alfabeto.
Ao longo do episódio, pesquisadores, jornalistas e especialistas discutem como a facção cresceu dentro das prisões paulistas em meio à superlotação, à violência institucional, às políticas de isolamento e à corrupção de agentes públicos.
A narrativa também aborda episódios que ajudam a entender a relação entre Estado, sistema prisional e crime organizado antes da crise de maio de 2006.
Entre eles estão a criação do Regime Disciplinar Diferenciado (RDD), a Operação Castelinho, a mudança nas lideranças do PCC e denúncias sobre esquemas de extorsão e corrupção envolvendo agentes públicos e integrantes da facção.
O podcast Crimes de Maio: o massacre que o Brasil ignora é produzida pela Ponte em parceria com o Brasil de Fato, com apoio do Instituto Procomum e da Open Society Foundations.
Ouça o episódio
Referências deste episódio
- Documentário Massacre do Carandiru: 30 anos de Impunidade, lançado pela Ponte em 2022. Disponível no canal da Ponte no Youtube.
- Plantão da Globo durante o Massacre do Carandiru. Disponível no YouTube.
- Reportagem da TV Gazeta sobre o julgamento de Julio Cesar de Moraes, o “Julinho Carambola”, exibida em 2009. Disponível no YouTube da TV Gazeta.
- Plantão da TV Globo sobre o sequestro do repórter Guilherme Portanova pelo PCC, exibido em 2006. Disponível no YouTube.
Leia a matéria original: Ponte Jornalismo
