PM é afastado após socos e joelhada em jovem no São João

Vítima diz que foi agredida após confusão da qual não participou e entre pessoas que desconhecia em um espaço público. Corporação diz apurar responsabilidade de policial agressor, mas não cita omissão de outros agentes também presentes

Após uma sequência de sete socos em menos de cinco segundos, um policial militar do Batalhão de Choque da Polícia Militar da Paraíba (PMPB) finaliza as agressões a um jovem de 19 anos, segurando seu pescoço com as duas mãos e puxando a cabeça do rapaz de encontro ao seu próprio joelho, em um movimento semelhante ao clinch do muay thai.

A cena, registrada em um vídeo que viralizou nas redes sociais, ocorreu na noite da última sexta-feira (6/6), no Parque do Povo, espaço público que sedia o tradicional São João de Campina Grande, na Paraíba — um dos eventos de maior aglomeração e visibilidade do estado.

O alvo da violência é Johnny Palmeira, de 19 anos, segundo noticiou a TV Paraíba, que é afiliada da Globo em Campina Grande. Após as agressões, Johnny, que em momento algum reage, cai no chão e é socorrido por amigas. Já o policial segue caminho, sem prestar qualquer tipo de apoio.

Foi somente após a divulgação das imagens que o agente foi afastado das funções e passou a ser investigado, segundo nota da PMPB (leia a íntegra ao final da reportagem).  

Em entrevista à rede paraibana, o jovem contou que a PM estava ali porque houve um princípio de tumulto com outro grupo. Quando terminou a confusão, da qual a vítima não participou, o policial passou a agredi-la. “Apontou para mim e falou: ‘é você’. Ele já chegou batendo. Não deu tempo de eu fazer nada”, contou à TV Paraíba.

A agressão diante da tropa

As imagens registram pelo menos dez homens uniformizados no centro de uma roda. Ao fundo, uma música toca. O policial em questão atravessa a roda e vai, de forma determinada, até Johnny, que segura nas mãos um chapéu. É nesse momento que as agressões acontecem.

Ainda segundo a TV Paraíba, Johnny foi levado pelas amigas até uma estação do Corpo de Bombeiros e encaminhado na sequência ao Hospital Dom Luiz Gonzaga Fernandes. “Estou com dificuldades para comer. Tô melhorando, mas um dia atrás não estava nem conseguindo falar”, disse ao veículo local.

Além da violência física em um ambiente de grande circulação, o registro em vídeo expõe a postura da tropa presente no local. A poucos metros da ocorrência, outros policiais militares acompanham a abordagem, mas não interveem para conter o colega, cessar a escalada de força ou prestar auxílio à vítima. 

A defesa de Johnny Palmeira informou que buscará a responsabilização do Estado nas esferas cível, criminal e administrativa, exigindo respostas formais sobre a conduta dos servidores públicos envolvidos. 

O que diz a PMPB

Em nota à Ponte, a Polícia Militar da Paraíba (PMPB) informou que “tomou conhecimento, por meio de imagens divulgadas nas redes sociais, de uma ocorrência envolvendo a atuação de um policial militar durante evento realizado no Parque do Povo, neste fim de semana, na cidade de Campina Grande”. 

A partir disso, “determinou a instauração imediata de procedimento apuratório pela Corregedoria-Geral, com o objetivo de esclarecer as circunstâncias da ocorrência e verificar eventual responsabilidade funcional. Como medida administrativa cautelar, o policial militar identificado nas imagens foi afastado das atividades operacionais até a conclusão da apuração”. 

Ressaltou que, “embora o caso ainda esteja sob análise, as imagens divulgadas não refletem os padrões técnicos, legais e profissionais que orientam a atuação da Polícia Militar da Paraíba”. Além disso, que “a Corporação reafirma seu compromisso com a legalidade, a disciplina, o respeito aos direitos dos cidadãos e a prestação de um serviço de segurança pública pautado pela responsabilidade e pelo profissionalismo”. 

A reportagem também solicitou uma nota à Secretaria da Segurança e Defesa Social da Paraíba (Sesds-PB) para confirmar se há um Boletim de Ocorrência registrado e se a Polícia Civil instaurou inquérito para investigar o caso. Não houve resposta ao menos até esta publicação.

Leia a matéria original: Ponte Jornalismo