Moradores relatam agressão da GCM ao terem ponte destruída em comunidade no litoral de SP

Vítimas afirmam terem sido agredidas pela Guarda Ambiental de Praia Grande (SP) ao tentarem filmar ação da prefeitura de derrubada de ponte. Equipamento era usado por comunidade para acessar comércios, escola e unidade de saúde

Moradores relataram agressão por guardas ao filmarem derrubada de ponte que atravessa canal | Foto: Reprodução

Moradores da comunidade Vila Teimosa, na cidade de Praia Grande, no litoral de São Paulo, relataram terem sido agredidos por guardas civis municipais na manhã desta quinta-feira (21/5). Na ocasião, operários da prefeitura, sob gestão Alberto Mourão (MDB), fizeram a demolição de uma ponte de acesso ao local. Entre as pessoas agredidas, está uma idosa de 63 anos.

As agressões tiveram início, conforme os moradores afirmaram à Ponte, após um deles tentar filmar a ação da prefeitura. Um guarda ambiental teria derrubado então o morador e passado a agredi-lo junto de outros agentes. Ao menos outros três moradores tentaram interceder, alegando que a vítima agredida não havia oferecido ameaça alguma e também passaram a ser violentados.

O primeiro morador a ser derrubado no chão ficou com marcas de agressão nas costas e nos braços. Entre as outras três pessoas agredidas, uma levou um soco no rosto e outra foi agredida com um chute nas costas. A terceira delas, a idosa, foi empurrada e caiu no chão, ainda conforme relatou à reportagem.

Além de agentes da Guarda Ambiental, submetida à Guarda Civil Municipal (GCM) de Praia Grande, estavam presentes policiais militares. Os moradores relataram também terem sido intimidados ao terem armas de fogo apontadas contra si por questionarem a ação.

A ponte derrubada pela prefeitura estava no final da Rua Profundir. O equipamento havia sido construído pelos próprios moradores para atravessarem um canal de água rumo ao bairro Vila São Jorge, por onde circulam diariamente para terem acesso a comércios e serviços, como uma escola municipal e uma unidade de saúde, o que não existe dentro da comunidade.

A Vila Teimosa se trata de uma ocupação iniciada em 2013. Atualmente, cerca de 600 famílias vivem no local, sob extrema vulnerabilidade socioeconômica. Nos últimos anos, a ameaça de despejo dos moradores se tornou crescente, em meio à tramitação de uma ação judicial para tratar da eventual desocupação do terreno. Nesse mesmo período, o bairro Vila Sônia, que dá acesso à outra ponta da comunidade, tem passado por obras de urbanização.

Em 2024, conforme noticiou a Ponte, policiais militares fizeram uma incursão na Vila Teimosa em que invadiram casas e submeteram uma mulher a tortura para revelar a suposta localização de um ponto de venda de drogas. Segundo vizinhos, os agentes jogaram gasolina na vítima e ameaçaram atear fogo nela.

A Vila Teimosa também esteve no noticiário nacional em março deste ano, quando duas crianças foram encontradas mortas em um carro abandonado em uma das ruas da Vila Sônia que dá acesso à ocupação. As vítimas eram os primos Henry Miguel, de quatro anos de idade, e Pedro Henrique. A hipótese da Polícia Civil é de que eles morreram asfixiados ao ficarem presos acidentalmente dentro do veículo. 

A Ponte questionou a prefeitura de Praia Grande sobre por qual razão a ponte de acesso à Vila Teimosa foi agora demolida e se pretende instaurar algum procedimento administrativo para averiguar a conduta dos guardas municipais na ocasião. Não houve retorno até esta publicação. Se houver, a reportagem será atualizada.

Leia a matéria original: Ponte Jornalismo